Um livro por semana – Budapeste




Um livro por semana - Budapeste

Um livro por semana - Budapeste

Poucas pessoas se lembram mas o alcóolico inveterado sonho de consumo de 9 entre 10 quarentonas cantor e compositor Chico Buarque é filho¹ sobrinho de um dos maiores lexicógrafos – estudioso das palavras. Dicionarista. – brasileiro e criador de um dos mais famosos dicionários, Aurélio Buarque de Holanda.

Para quem tem palavras em seu DNA, ser um escritor é algo natural. E isto se prova mais uma vez em seu terceiro romance. Em Budapeste, Chico se transforma em José Costa, ou Zsoze Kósta, um ghost writer – profissional que escreve cartas, discursos, livros biográficos, etc. para quem (ou em nome de quem) o contrata – que se vê obrigado a pousar em Budapeste, capital da Hungria, devido a uma ameaça de bomba em seu avião.

De volta ao Rio, e à monotonia do dia-a-dia e de um casamento que já não o nutre mais, tudo muda quando um dia descobre que passou a sonhar em húngaro…

O mais incrível deste livro é saber que, apesar dos datalhes incríveis sobre a cidade, sua gente e sua vida diária, Chico Buarque nunca havia estado em Budapeste antes de escrever o livro e, talvez por isso, tenha conseguido enteder tão bem seu personagem que vive de escrever histórias que ele nunca vivenciou.

Mais uma vez, Chico nos leva à dançar com as palavras, nos colocando dentro da mente e da alma do personagem principal. Em Budapeste, o personagem consegue nos transmitir – através de uma leitura leve, gostosa e dinâmica – uma rara oportunidade de viajarmos dentro da complexicidade do seu subconsciente quando já não sabemos mais o que é verdade ou ficção.

Com grande antecedância tomei um taxe, que me deixou na rua Tóth, 84, em vinte minutos. Deixei passar outros quarenta, parado em frente ao portão elétrico, para me anunciar no interfone: José Costa. Era uma vila de casas germinadas, e Kriska me aguardava na soleira do número 17; sem os patins, ela era quase pequena e menos menina. Falou Zsoze Kósta… Zsoze Kósta… me olhando de alto a baixo, como se meu nome fosse um traje inadequado. Deixei que falasse Zsoze Kósta até se habituar e não corrigi sua pronuncia, muito menos caçoei do Kriska, antes, dei-lhe razão e passei a me conhecer por Zsoze Kósta em Budapeste.

Budapeste ganhou o terceiro lugar no Prêmio Jabuti de 2004 e o filme baseado no romance estreou esta semana nos cinemas. Mesmo assim, espero que leiam o livro antes de assistir ao filme.  Apesar de cinéfilo assumido, não preciso dizer o quanto a experiência de se ler um livro ultrapassa de longe à de se assistir ao filme.

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  1. #1 by Roberto Camara - May 24th, 2009 at 13:54

    Um livro por semana: Budapeste. Hoje, no Me Tire Deste Ócio!!! http://migre.me/1rOV

  2. #2 by Tiao - May 25th, 2009 at 17:47

    Te dou uma dica?

    O Chico é filho do Sérgio Buarque de Holanda!

    Abraço,

    Tião.

  3. #3 by Roberto Camara Jr. - May 25th, 2009 at 18:59

    Ôpa Tião,
    Tem toda razão (perdoem a rima inevitável, por favor)
    Chico é SOBRINHO do Aurélio
    Já vou corrigir.

(Não será publicado)
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