Lanchinha de Carreira
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Nada mais frugal do que pegar uma lanchinha da carreira,
atravessar a Baía de Todos os Santos e ir pra Mar Grande. Principalmente no verão, quando a fila deste transporte costuma percorrer meia cidade baixa. Mas a ilha é um paraíso e, como dizem, pra conhecer o paraíso, é preciso passar pelo purgatório.
Pra começar, uma curiosidade: ninguém sabe porque se chama “lanchinha”, muito menos “da carreira”. Afinal, trata-se de um barco grande de madeira do qual, sem muito esforço, seria possível ultrapassá-lo a nado.
Quando as pessoas falam que vai gato, cachorro e periquito, não é metáfora. A aventura começa quando o “staff” abre o estreito portão de acesso ao píer de embarque. A sensação que se tem é que estavam todos presos em uma casa pegando fogo há pelo menos 2 horas e uma porta se abre. As pessoas correm desesperadas, gritos de sai da frente, empurrões, carrinho-de-mão derrubando manga pelo chão, gente escorregando, mãe puxando menino pelo braço.
Esse é o estágio 1.
Ultrapassado o portãozinho, começa o estágio 2. Apesar do espaço aumentar logo no início do píer, não há tempo para comemorar: uma ponte ainda mais estreita aguarda os passageiros. O corre-corre tem fundamento: a capacidade da lanchinha deve ser algo em torno de 120 pessoas. Embarcam umas
300.
Existe uma forma alternativa de ultrapassar este estágio e galgar preciosas posições – artifício normalmente utilizado pelos nativos da ilha.
Como se fosse um lançamento de disco olímpico, eles arremessam sua bagagem para além-ponte. Para esta manobra é necessário destreza, já que o espaço do outro lado é pequeno e você corre dois riscos: atingir algum passageiro ou ver seus pertences afundarem no mar.
Este plano B é perigoso porque, depois de “despachar” sua bagagem, é hora de você sair pulando pelos barcos atracados até chegar à sua embarcação. Sem o impulso suficiente seu destino é a água.
Estágio 3. Ok, você chegou diante de sua preciosa lanchinha.
É hora de disputar o tão sonhado embarque com o menino do “menduins”, o menino da paçoca, o menino da gelada, o menino do nêgo bom, o menino da mineral, o menino do “halles” e o maldito cara do carrinho-de-mão das mangas.
Agora, é conquistar na cotovelada os seus 10 cm de banco. Se você for bom no chega pra lá, tente disputar os bancos na sombra. Caso não se garanta, contente-se em pegar um bronze.
Ótimo, a lancha vai partir. O marinheiro vai soltando as amarrações, mas, sem esboçar surpresa, assiste mais uns 3 passageiros correndo pelo píer e se atirando para dentro do barco. A viagem enfim começa.
Nas primeiras marolas do mar calmo da baía, a lanchinha se comporta como um João-bobo, balança de um lado pro outro, provavelmente desestabilizada pelo excesso de peso. Mais pro meio da baía, as marolas viram pequenas ondas. O suficiente para o show de engulhos começar. Se pra dançar créu tem que ter habilidade, imagine pra desviar de vômitos vindos de todos os lados em um barco
que você mal consegue se mexer. E como sensibilidade não é o forte de vendedores ambulantes, os caras saem gritando entre o povo passando mal: “olha o menduins torrado!”.
Vencidos os inacabáveis 15 km que separam Salvador da ilha, aproximando-se da ponte de desembarque, outra cena inusitada dá início ao 4º e último estágio: quem estava passando mal se recupera automaticamente e um novo estouro de boiada acontece pra sair da lancha. Depois, é simples. Basta driblar os meninos que pedem pra carregar sua sacola por uns trocados, entrar numa “kombis” com mais de 15 pessoas dentro e aproveitar um verdadeiro pedaço de céu na terra.
Ah, eu amo a ilha de Itaparica.
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August 25th, 2008 at 13:29
Torna-se desnecessario qualquer tipo de comentario… eh isso ai e + nada
August 25th, 2008 at 14:20
vai de ferry
August 25th, 2008 at 17:43
OK! Nada contra vc amar a Ilha. Mas dizer que aqui é o paraíso, é meio exagerado se mantivermos a realidade dos fatos.
Passear por aqui pode até ser uma boa mesmo. Mas morar está cada vez mais complicado!
Acredito que isso já chega a ser antigo, mas a Ilha tem atuado, definitivamente, como um ótimo refúgio para a bandidagem. Casas, mesmo nos condimínios fechados antes considerados mais seguros da ilha, tem sido constantemente saqueadas.
Estupros e outros crimes violentos são cada vez mais constantes.
A lancha é precária. Fora que nenhum investimento, a não ser os voltados ao aumento de lucro como o aumento da capacidade de transporte de pessoas é realizado. E em pleno século 21 depender da maré para ir trabalhar é um absurdo. Um investimento naquele atracadouro passou e muito da hora de ser realizado.
O Ferry, nem se fala. Enquanto a questão da maré é resolvida, o estado das embarcações e a falta de organização no momento do embarque bem como durante a travessia por parte dos marinheiros é absurda. No ultimo final de semana tivemos que sair do Ferry e irmos direto para o hospital pois estávamos todos envenenados com gás carbônico emitido por 2 carros que mantiveram seus motores ligados. Sair do carro? Para ficar onde no superlotamento? Aliás, estava chovendo também e tínhamos crianças conosco.
O Fast-Ferry, que experimentei, é ótimo! Porém, infelizmente totalmente mal planejado. Mas será mesmo muito bom quando houver pelo menos 2 atuando.
E diga-se, acho um absurdo (mas compreendo a jogada de marketing) colocá-lo em funcionamento sem que nenhum preparo estrutural de venda de passagens, informação de horário, preços e etc. fosse devidamente providenciado anteriormente à sua implantação. Tempo, existiu de sobra!
Pior ainda é ver que além de viajar na área VIP já ser um privilégio para poucos, ter a compra de passagens restrita a quem pode ter com antecipação a informação de seu horário fornecida por contatos internos particulares torna esse privilégio ainda mais restrito.
São problemas como esses que fazem da ilha um local cada vez mais abandonado e removido das opções de lazer dos que antes a apreciavam.
E olha que não comentei o transporte público que mais do que precário, é abusivo em sua falta de organização, péssima qualidade e custo.
Infelizmente deixarei de residir aqui em breve, por essas e outras mais. A beleza natural mantém-se, embora por esforço próprio apenas. Mas a qualidade de vida antes oferecida, já não é mais a mesma há muito tempo!
August 26th, 2008 at 11:27
Acredite ou não, gosto de ir de “lanchinha” é mais barato e mais rápido que o Ferry.
Só vou de ferry quando não tem jeito mesmo por ter de ir de carro.
Se bem que de ferry agora existe um prazer novo, que é ir no Ferry Boat Ivete Sangalo.. Como ela disse, ele é um molde do corpo dela e navegar nele é o mesmo prazer de navegar dentro dela…confortável, divertida, objetiva e outros detalhes mais conforme ela…ehehehe
August 27th, 2008 at 15:43
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