Orgulho nacional

Tenho recebido nos últimos tempos uma série de e-mails e cunho “patriota”. Neles, autores anônimos, em sua grande maioria, nos lembram as grandezas e as inúmeras possibilidades que um país como o Brasil pode ter. Alguns comparando o país, ou parte dele, com outros países do mundo; outros realçando nossas fontes de riqueza tanto naturais quanto humanas.
Falam-nos das reservas naturais – como um que dizia que se o nordeste, por exemplo, fosse, por se só, um país independente, faria parte, como membro majoritário, da OPEP.
Outros comparam o PIB de São Paulo ao de países da Europa como a França, Portugal, e Grécia.
Já o último que recebi, comentam os absurdos que acontecem na Holanda, país do chamado 1º mundo, em comparação direta com o Brasil. E mais uma vez ganhasse de longe.
Pensei então comigo mesmo – o que é preciso para que o “gigante” resolva finalmente acordar, levantar do seu “berço esplêndido” e tomar alguma atitude?
Cheguei à conclusão de um dos principais problemas é algo que já deve estar inserido no código genético da maioria dos seus cidadãos; algo tão ínfimo quanto importante; algo que passou a fazer parte do dia-a-dia do brasileiro e de seu orgulho nacional.
O “jeitinho brasileiro”.
O gigante tem que aprender que sua eterna vontade de “se dar bem” acaba trazendo mais prejuízos que ganhos. Seu egoísmo, pois no-fundo-no-fundo, isso não passa de puro egoísmo, ao passar na frente de todos os outros ele acaba se transformando – mais cedo ou mais tarde – em último.
Têm que aprender que cada vez que o país ganha (e não estou falando de jogo da seleção), ele ganha também, mas nem sempre, na verdade, quase nunca, a recíproca é verdadeira.
A verdade é que o “jeitinho”, assim como a “cervejinha”, a “gorjeta” – ou seja lá como é chamado – acaba sempre prejudicando o Brasil e a todos nós por tabela.
Ninguém quer fazer negócios com uma pessoa que não seja séria. Ninguém investe em lugar nenhum onde se saiba que todo seu investimento pode estar nas mãos de pessoas na qual simplesmente não se pode confiar.
Ao contrário do que a grande maioria pensa, o “jeitinho brasileiro” não é motivo de orgulho. É motivo de vergonha e de chacota por outros países.
Certa vez, um famoso estadista francês disse que o Brasil não era um país sério. Confesso que precisei de muita maionese Hellmans’ (alguém ainda se lembra desta propaganda?) para engolir esta frase, mas tive que dar o braço – ou a língua – a torcer.
Somos o país do futuro. O país das possibilidades. Do eterno desenvolvimento. Somos o país do progresso e o país do futuro (!) e se ainda temos pessoas passando fome, crianças abandonadas, mulheres espancadas, e etc., por incrível que pareça, a culpa não é nem do PT, PMDB, DEM, PCdoB, PR, PL, nem tão pouco dos Collors, dos Sarneys, Barbalhos, Magalhães, ou de qualquer outro exemplar da política nacional. Tampouco é da crise financeira internacional, da globalização ou do maligno imperialismo americano.
A culpa é totalmente nossa.
De que adianta a twittosfera toda tentar fazer com que o #forasarney fique entre os primeiros nos Trending Topics se ninguém sai às ruas pedindo seu afastamento. De que adianta reclamar ficarmos indignados com o castelo do deputado Edmar Moreira no conforto do sofá da nossa casa? Como podemos reclamar da atuação da polícia em alguma chacina na favela se subornamos os mesmos policiais quando nos multam? De que adianta falarmos tanto dos políticos e votarmos nos mesmos de sempre ao invés de nos candidatarmos?
O governo não vai mudar se não o fizermos mudar. E nós nunca o faremos mudar se mudarmos a nós mesmos.
É um processo e, como a maioria dos processos, longo e doloroso.
Não esqueçam de que entre nossos filhos estarão os deputados, senadores e presidentes do futuro. Os futuros grandes homens e mulheres do Brasil estão neste momento mais preocupados em saber se quem é melhor: Hanna Montana, High School Musical ou Malhação (Se não faz idéia do que estou falando, procure se informar com o miguxo mais próximo a sua residência). O que não percebemos é que eles nos observam a cada minuto. O que fazemos de certo e, principalmente, de errado. A velha frase “faça o que digo não faça o que faço” é estória – sim, sem h – para boi dormir.
Elis Regina já nos lembrava que “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais” e nossos filhos não serão uma exceção à regra.
A não ser que façamos algo.
O precisamos sim, é dar um jeito no Brasil. De “jeitinhos” ele já está farto.
Temos, pelo menos, outros 190 milhões de motivos para nos orgulhar. Podemos viver com um “orgulhinho” a menos.
- E você ainda compra Dvd pirata… (Texto)
- Os filósofos da política brasileira (Tirinha)

TweetPor essa a empresa de fotocópias mais conhecida do mundo não esperava. Um sujeito desempregado ligou uma impressora multifuncional a uma bateria de 12 volts presas a uma espécie de cinto e passou a oferecer fotocópias a R$0,15 na rua em frente ao escritório da Receita Federal em um dos bairros de classe média-alta de [...]



July 7th, 2009 at 17:29
O novo post do #metiredesteocio já está no ar \”Orgulho nacional -> http://migre.me/3lN7\”
July 7th, 2009 at 20:34
O papo é sério no @metiredesteocio hoje http://migre.me/3m4J
July 9th, 2009 at 08:58
Parabéns pelo texto!
É exatamente como penso e sempre digo, esses políticos não têm culpa de nada, nós que os colocamos lá somos os culpados.
Mas como podemos explicar para um povo sem educação, que pra mim é a base de tudo, um povo que diz votar em qualquer um porque todos não prestam, que devemos sempre mudar o voto até encontrat alguém realmente honesto e que queira o bem da nação, não o bem próprio. Pesquisar sobre a vida desse nosso candidato e excluir da política os que estão respondendo qualquer tipo de processo. É difícil! Mas como você disse, somos todos acomodados, só reclamamos uns para os outros e não fazemos nada para realmente mudar…
Por isso não temos educação, não temos saúde, não temos respeito pelos idosos, porque um povo “burro” e humilhado não tem vontade própria e pode ser dominado pela elite política.
July 9th, 2009 at 08:58
É a pura verdade e compartilho esse pensamento. O Brasil só vai mudar com as pessoas indo às ruas, infelizmente promovendo um pouco de caos poderemos ter um pouco de ordem. Invejo países como a França onde as pessoas vão às ruas para protestar pelo que acreditam com a contundência nada mais nada menos do que a necessária.
July 9th, 2009 at 10:09
Interessante o texto. Mas uma revisao ortografica bem q viria a calhar antes da publicaçao.
July 9th, 2009 at 10:24
Eu tentei ler o texto, mas parei no 3 parágrafo – me esforçando ainda… Tudo bem que a língua portuguesa não é a mais fácil, todavia, BRINCADEIRA! Pelo menos jogue o texto no word e o corrija antes de publicá-lo, POR FAVOR!
July 9th, 2009 at 10:40
Concordo e assino embaixo. No país das piadinhas para justificar o ” jeitinho brasileiro”, na terra do deixa pra lá e o que os políticos mais gostam: TERRA DOS SEM MEMÓRIAS, que se esquecem muito rápido das barbaridades que eles aprontam.
Tenho um blog (www.brasildesonhos.blogspot.com) e gostaria de pedir uma ajuda para divulgá-lo, pois não saco nada de informática. O tema é o mesmo do texto acima.
Quero ressaltar que copiei seu texto para o blog. Não sei se é ilegal, mas acho que é para uma boa causa.
Um grande abraço!
Ronaldo Oliveira.
July 9th, 2009 at 11:19
Vocês tem toda razão. Foi uma total falta de atenção da minha parte, não ter feito isso antes da publicação.
Admito que o erro foi meu e peço desculpas por ele.
A correção ortográfica já foi feita.
Agradeço imensamente os comentários bem humorados.
July 9th, 2009 at 11:53
Caro senhor Ronaldo,
A cópia de um texto sem a devida autorização do autor é PLÁGIO pelas leis brasileiras.
Sem mais,
July 9th, 2009 at 12:26
Plágio avisado é phoda! Pior que já aconteceu lá no Pipoca também.
p.s: Adorei o texto, mas enquanto a politicalha continuar jogando a culpa na gestão anterior sempre haverá o próximo presidente (nacional, do senado, da câmara) para nos matar de vergonha.
July 9th, 2009 at 12:44
Desculpe-me por copiar o texto. Vou tratar de removê-lo. Abraço! Ronaldo Oliveira.
July 9th, 2009 at 19:13
Acho que foi Charles de Gaulle que disse que o Brasil não era um país sério …
July 9th, 2009 at 20:52
Meu caro,
Faz um tempao que nao leio um texto tao realista e autentico como este seu. Acho que vc tirou um Xerox de milhoes de mentes brasileiras e todos assinariam embaixo das suas palavras.
Eu fico aqui pensando, se essa multidao de brasileiros pensam a mesma coisa sobre o pais, por que nao muda nunca?? O que impede…o que amarra… o que impossibilita esta mudança de atitude??? Voce acha que a classe baixa agora acessivel as universidades, formadas poderão fazer uma diferença??? Voce acha que esta maldita midia eletista se calar, as coisas melhoram??? Voce acha que a internet tem ajudado??? ou voce acha que a maldita midia, ja começou se infiltrar na internet??? mas que aqui (internet) a democracia é mais respeitada?? Nao vou ouvir as respostas as minhas perguntas, pois nao tenho mais tempo, mas gostaria que meus netos as ouvissem.
July 9th, 2009 at 20:56
Foi ele mesmo Maurício.
O caso de um navio pesqueiro francês que invadiu as águas territoriais brasileiras.
Só queria dar mais uma coisa para vocês, leitores, pensarem!
Abraços e obrigado pelo comentário
July 9th, 2009 at 21:01
Caro Galdino,
Não vou mentir: A idéia de me candidatar à cargo público já passou pela cabeça.
Mas estaria em um imenso paradoxo. Afinal, sempre fui da opinião de que um homem público deveria ter, antes de mais nada, sua própria casa arrumada (condições financeiras, estabilidade, etc.) para que não tivesse – em teoria – necessidade de roubar de quem não tem.
Como, infelizmente, não cheguei ainda à este ponto, prefiro esperar.
Quem sabe um dia, estes tantos brasileiros de quem falou, não resolvem se levantar do sofá?
Abraços e obrigado pelo comentário,
July 9th, 2009 at 22:25
Putzzz. É mesmo isso que eu penso. Este País é fabuloso e rico em matérias-primas que por sua vez transorfadas farão parte do futuro de um qualquer pais do 1º mundo. Podemos mudar o passado? Não! mas podemos melhorar o futuro. Fim ao jeitinho covarde de “se dar bem” Já!!!
July 9th, 2009 at 22:27
PS: Muito bom texto, muito bom artigo. Parabéns.
July 10th, 2009 at 09:58
Isso daí prova porque Lulla é presimente e tem 80% de aprovação. Num país ridículo, um presidente ridículo paraum povo ridículo…
July 10th, 2009 at 11:03
Interessante a ideia do texto, mas acho que se vc desse uma lida no texto do Da Matta “Você sabe com quem está falando”, talvez mudasse um pouco sua visão do jeitinho brasileiro. Da forma como vc colocou, esse “jeito” deve ser totalmente rechaçado SIM, porém, com o prisma da criatividade, o “jeito” brasileiro deve ser melhor utilizado. Enfim, é somente minha opinião e fica aí a dica do livro, tenho certeza que vc gostará.
January 6th, 2010 at 10:07
[...] Quando tomaremos vergonha na cara? (Texto) [...]
February 7th, 2010 at 22:52
[...] que nos falta é ter orgulho do Brasil [...]
April 7th, 2010 at 21:15
[...] This post was mentioned on Twitter by Roberto Camara. Roberto Camara said: RT @tayra: Sem nada pra fazer? Leiam 2 ótimos textos antigos do @robertocamarajr: http://ow.ly/1vOne e http://ow.ly/1vOod // o/ Valeu! [...]
April 7th, 2010 at 23:57
RT @tayra: Sem nada pra fazer? Leiam 2 ótimos textos antigos do @robertocamarajr: http://ow.ly/1vOne e http://ow.ly/1vOod // o/ Valeu!
April 8th, 2010 at 00:22
[...] Abaixo o jeitinho brasileiro (Papo sério) bb_keywords = 'eleições,democracia'; bb_bid = '39855'; bb_lang = 'pt-BR'; bb_name = 'custom';bb_limit = "7";bb_format = "bbc"; [...]