Pois está na hora de tocar em um assunto mais polêmico que os mamilos do Bruno ou acordar sem calcinha no quarto do líder do BBB.
Eu sou da geração que nasceu quando o cigarro era cool, coisa de gente fina, mora? Onde o mocinho do cinema conquistava a gatinha só oferecendo e acendendo o seu cigarro. Uma novela então devia gastar pelo menos um maço por capítulo e não havia momento mais esperado do que ver o Coronel John “Hannibal” Smith acender seu charuto e dar aquele sorriso maroto no final de cada episódio. Pô! Até mesmo Colt Seavers, o dublê “Duro na queda” não resistia a uma fumacinha.
"Que nem que gente grande, né tio"?
Sou da geração em que legal mesmo era ficar horas sem tirar o papel do cigarro de chocolate Pan enquanto fingia dar umas baforadas “feito gente grande, né tio?”.
Não era de se espantar que um garoto que ainda nem sabia quem eram os Beatles ou os Rolling Stones achasse o cigarro a coisa mais legal do mundo. Que “homem de verdade não chora e sabe fazer anel de fumaça”. E foi assim que aos 6 anos de idade pedi meu primeiro cigarro ao meu pai.
Ele calmamente me olhou e perguntou:
“Tem certeza de que é isso o que você quer meu filho?”
Com os olhos brilhando já que finalmente eu seria um homem, respondi que sim na lata.
” Então tudo bem.”
Sem que eu visse ele tirou o filtro do cigarro, colocou na minha boca, me olhou sério e falou: “mas tem que tragar tudo. Não pode jogar cigarro fora.” e acendeu.
Acho que bati o recorde de queda de pressão. Ficava verde, azul, amarelo… passeava por todas as cores do espectro, primárias e secundárias, tossia mais que vaca (será que vaca tosse mesmo?) e não conseguia respirar direito. A pior sensação que já havia passado em toda a minha vida até então. Pior até do que a vez em que quase me afoguei na piscina do clube ou quando o Léo da 4ª série me bateu por não ter dinheiro para pagar o lanche dele na escola.
Não preciso dizer que daí passei a ser o maior anti-tabagista da face da terra. Se aquela coisa fazia tão mal assim, meu pai tinha que parar também! E foi aí que a guerra começou.

Preparando a tropa
Meu pai comprava os pacotes de cigarro e sempre que eu podia roubava uma ou duas carteiras e as escondia. Quando ele voltava do trabalho ou no fim-de-semana, bastava ele virar para o lado que lá ia eu surrupiar mais dois ou três cigarros para dar um fim. Minha estratégia era fazer com que ele fumasse cada vez menos – ou gastasse mais. O ponto máximo foi quando descobri que no balcão que vendia truques de mágica no shopping, tinha umas espoletas que podia colocar dentro dos cigarros e fazê-los explodir.
Acontece que meu pai trabalhava com comércio exterior para uma grande empresa petroquímica. Tratava diretamente com CEO’s de grandes companhias era o responsável por conseguir novos acordos para a empresa. E em uma dessas reuniões, pouco antes de assinarem o acordo, resolveu oferecer um cigarro para o presidente da companhia que passaria a ser seu cliente…. podem imaginar a surra que levei naquela noite, não é? O chinelo se mostrava ainda mais poderoso que minha vontade de fazer meu pai parar de fumar.
Mas o tempo passou e de repente eu me vi fumando. Não sei exatamente como aconteceu. Talvez foram os filmes, as novelas e os seriados, da minha infância, a vontade de também ser “cool” ou a desculpa que precisava para paquerar as garotas nas danceterias a noite. Acontece que, seja lá qual tenha sido o motivo que me levaram a fumar, eu gostava daquilo. O cigarro era sim – e ainda é – algo além de jogar fumaça nos pulmões ou queimar dinheiro. Era o que me fazia levantar a cada poucas horas da cadeira do escritório, sair do mundo virtual e saber das últimas fofocas da empresa no fumódromo oficial. Eram os 7 minutos de paz a que eu tinha direito, ao final de um dia puxado na época do treinamento básico do exército. Era a paquera perfeita puxar o isqueiro mais rápido que a mocinha na ponta do bar e acender o seu cigarro. Era a desculpa para tirar aquela gatinha do meio do salão e levar para um lugar mais tranquilo. Fumar era uma escolha.

"Vamos fumar um cigarro lá fora?"
Ainda assim eu era, acima de tudo, um fumante educado: Não fumava dentro de carro quando não estava sozinho ou fazia questão de sair para fumar do lado de fora, enfrentando frio e chuva as vezes quando ninguém mais fumava em um ambiente fechado, mesmo que fosse permitido. Durante anos dividi um apartamento com uma garota que não fumava e aceitei de bom grado o contrato verbal que tínhamos onde para fumar eu precisava descer para o playground. Sempre andava com pastilhas, balas ou chicletes no bolso para tentar amenizar o aroma depois de um cigarro e antes de falar com alguém. Por muito tempo mas muito tempo mesmo, eu lavava o rosto com sabão de coco para tirar o cheiro antes de me encontrar com minha namorada. Para mim era uma questão de respeito e meu limite sempre foi ir até onde incomodava os outros.
Mas tudo tem um limite.
Parei de fumar algumas vezes na vida. Meu último cigarro foi no dia 15 de novembro de 2010 logo depois de perceber que, se não fumasse, poderia ter dinheiro suficiente para comprar aquela bijouteria que minha namorada havia paquerado no shopping naquela tarde.
Dito e feito:
Coloquei um aplicativo no celular para dar aquele apoio moral e pronto. Parei.
Mas isso não quer dizer que parei também de respeitar as pessoas. Fumantes ou não. Se estou em café ou coisa parecida, decido sentar do lado de fora e o cara da mesa ao lado resolve acender um cigarro, por mim tudo bem. Ao menos ali ele pode fazer isso, um direito dele e se EU me incomodar EU me mudo de lugar sem resmungar ou reclamar. Ali se fuma. Se me incomoda, escolherei algum outro lugar para sentar ou qualquer outro café para ir.
Pelo mesmo motivo sou contra a lei que proíbe cigarros em bares, restaurantes e afins. Deveria ser uma opção meramente comercial a ser tomada pelo proprietário do estabelecimento.
“Aqui, neste local se fuma ou não. Se você é fumante e não quer ter que ir para a rua para acender seu cigarro e voltar depois ou se não quer que o cheiro da fumaça fique no seu cabelo, procure outro lugar pois aqui não é o seu. Quem vai perder dinheiro com uma ou outra opção sou eu, dono do lugar e não é o governo que precisa me dizer o que fazer dentro do MEU estabelecimento.”
Algum anti-tabagista ferrenho pode contra-argumentar dizendo que a partir do momento em que sua banda predileta toca em um bar de fumantes você deixa de poder acompanha-la ou ir aos seus shows. Então eu lhe pergunto será que você é um fã assim tão ferrenho que não pode ir a outro lugar ver sua banda? Juntar uma turma de amigos e pedir que toquem também em algum outro lugar onde você possa ir?
- Ah mas deixa o vocalista rouco, o guitarrista erra os acordes pois não consegue ler a partitura por causa da fumaça, o baterista fica com a mão suada e perde a batida e pelo jeito eles não estão muito preocupados pois continuam tocando naquele mesmo bar de fumantes. Talvez seja a hora de você conhecer outras bandas na sua cidade.
Isso, meus caros, é a verdadeira liberdade. Esqueçam o louco desafio de tentar passar a mão na bunda do guarda. A não ser que seja sua namorada fantasiada te chamando de Tigrão a experiência não será das melhores.

Se for sua namorada e estiver fora de serviço, aí pode
Liberdade é poder escolher o que você quer fazer, onde você quer ir, o que – ou quem – quer comer sem o governo te proibir de fazê-lo. Sem demagogia, sem disse hipocrisia.
Vejamos, se o governo quisesse realmente nos proteger, simplesmente proibiria a venda de cigarros no país. Sem cigarros, ninguém mais morre de câncer de pulmão e todos recebem presente do Papai Noel no fim do ano.
Por que tudo isso? Simples:
Uma reunião pública da Anvisa que debaterá, nesta terça, dia 13/3, a proposta de proibição do uso de substâncias como cravo, canela e mentol na fabricação de cigarros.
Claro que, se você for um não fumante, a primeira coisa que virá a sua cabeça é “ótimo” um motivo a menos para o alguém fumar porém o buraco é mais embaixo….
Afinal de contas, se o problema fosse realmente o cigarro bastaria proibir sua comercialização em todo o território nacional e pronto. Mas a verdade é que cigarro dá dinheiro. Dinheiro este que você usufrui.
A verdade é que cerca de 200 mil empregos que serão afetados pelo que for decidido nesta terça. Além disso, tal proibição só aumentaria ainda mais o comércio ilegal de cigarros (geralmente de procedência dúbia) que hoje já chega a 30% do mercado. Só isso dá um rombo de R$3 bilhões nos cofres públicos, ou seja: no seu bolso meu amigo.
Se ainda assim não se convenceu, é melhor esquecer aquele churrasco do fim-de-semana ou a cervejinha depois do expediente. Afinal de contas as proibições tem que começar de algum lugar.
Só espero que seja fã de um bom Rato-burguer…









