Os bichos estão soltos de novo




Cédula de R$2,oo antiga

Tá na hora de se despedir

O pessoal mais novo – Tá bom, ok. Não sou tão velho assim. 35 anos muito bem aproveitados. Estou falando da turma dos 20 para baixo, ok? – talvez não se lembre ou faça a menor ideia de como era a economia brasileira há pouco mais de 16 anos atrás.

Até 1994, ano do lançamento do Real, o Brasil já havia passado por nada mais nada menos que 11 moedas diferentes desde a sua independência.

Somente entre as décadas de 80 e 90, o país passou por 5 moedas diferentes:

Até 1986 era o Cruzeiro, depois veio o Cruzado novo em 1989, que foi trocado pelo Cruzeiro novamente em 1990 que por sua vez foi deu lugar ao Cruzeiro Real em 1993, que foi finalmente substituído pelo nosso atual Real em 1994.

Faltou ainda colocar a URV que era um tipo de taxa de câmbio pareador (valeu Knuttz ) que equiparava o Cruzeiro Real a, na época,  nova moeda.

O Brasil dos anos 70, 80 e início dos anos 90 era um verdadeiro pandemônio com uma hiper-inflação girando na casa das centenas de pontos percentuais por ano – e as vezes ultrapassando isso.

Cédula R$100,00 antiga

Agora vai ser mais difícil ainda ter uma dessas na mão

Era uma época em que era preciso esperar o jornal da manhã anunciar a taxa de inflação do dia – isso mesmo DIA – anterior para que nossos pais pudessem calcular quanto dinheiro nos dariam para comprar uma coca-cola na cantina da escola.

Afinal de contas, o preço do dia anterior, sem dúvidas, não seria o mesmo do dia seguinte.

Hoje, 16 anos depois do seu lançamento, o ministro da Fazenda Guido Mantega e o presidente do Banco Central do Brasil Henrique Meirelles, anunciaram as novas cédulas do nosso já não tão pobre dinheirinho. O Real é hoje em dia (quem diria…) uma das moedas mais valorizadas no mercado internacional pela sua estabilidade econômica.

Assim com as atuais, as novas cédulas do Real terão em uma das faces a efígie da República e um exemplar da fauna brasileira no verso. Os animais impressos nas cédulas continuaram os mesmos (Tartaruga de pente na de R$2,oo, a garça na nota de R$5,00, a arara na de R$10,00, o mico leão-dourado na de R$20,00, a onça na nota de R$50,00 e a garoupa na nota de R$100,00), todos espécies em risco de extinção.

Saiba mais sobre as novas notas abaixo.

Novas cédulas do Real

É bom começar a se acostumar

Além disso, as notas passam a ter tamanhos diferenciados de acordo com o seu valor, algo que deve ter sido pensando para facilitar a vida dos deficientes visuais no país – Ponto para o Banco Central – sendo as de menores valores, também de menores tamanhos e assim por diante.

As novas cédulas contaram com melhores itens de segurança como mudanças nas marcas d’águas onde, assim como já ocorre nas notas de R$2 e R$20, o animal respectivo de cada nota fará parte também de sua marca além da faixa holográfica, que já é usada também na nota de R$20 e nas cédulas do Euro.

Todo o trabalho de mudança das cédulas terá um custo calculado em 1,15 bilhões  de reais. Isso porque a impressão das novas notas custa em torno de 28%, ou seja, R$84 milhões além do orçamento previsto para os custos de impressão de hoje em dia.

Por outro lado, com as novas medidas de segurança, o BC espera diminuir drasticamente o número de notas falsas em circulação que possui uma média atual de 143 falsas para cada milhão de notas verdadeiras. Isso sem contar que o novo tipo de impressão invernizada fará com que as notas tenham uma vida útil até 30% mais longas. Para se ter uma ideia, a vida útil de uma nota de 2 reais é de somente 1 ano.

Além de todo investimento nas notas em si, estão inclusos nos gastos a troca das caixinhas que ficam dentro dos caixas eletrônicos de todo país por modelos capazes de separar os diferentes tamanhos das novas cédulas. Cerca de 70% do dinheiro em espécie circulante no Brasil está nos caixas automáticos hoje em dia.

As novas cédulas começaram a ser distribuídas já a partir deste semestre e a intenção do Banco Central do Brasil é que todas as notas atuais já tenham sido tiradas de circulação até a copa de 2014.

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Fontes: Aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

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  1. #1 by Joseph Saw - February 3rd, 2010 at 23:22

    URF ou URV?
    (Unidade Real de Valor)

    (ou “Unidos Roubaremos Voce” como diziam em 94)

  2. #2 by Roberto Camara Jr. - February 3rd, 2010 at 23:53

    Boa Joseph!
    Tem toda razão.
    Abraços

  3. #3 by fernando - February 4th, 2010 at 01:36

    Só pra acrescentar uma coisa interessante, Sophia, a esfinge da república, assim como o nome cruzeiro estavam associados as ideologias francesas e maconicas (sociedade da qual participavam tanto Dom Pedro como o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca).

    E a URV para nós brasileiros servia como pareador, mas para o mercado externo era uma forma de adiantar a estabilidade do valor da moeda Real que surgiria meses depois. Uma espécie de busca de aprovacao do plano, para que os investidores vissem uma mudanca para o bem e nao porque tava tudo cagado, como vinha acontecendo na epoca (a velha politica de cortar 3 zeros).

  4. #4 by Diogo Almeida - February 4th, 2010 at 08:04

    Só para esclarecer, não é a “esfinge” da República, e sim a “efígie” =]

    O texto ficou muito bom, dá para esclarecer bastante coisa para quem não sabia ainda destas novidades.

  5. #5 by J. R. - February 4th, 2010 at 10:26

    O tamanho diferenciado das notas serve principalmente pra impedir uma tática de falsificação que é usada atualmente, que é retirar a tinta da nota de menor valor e imprimir a de maior valor nesse papel moeda.

  6. #6 by jose rocha - February 5th, 2010 at 22:24

    sera que essas ai vao ser mais facil para os deputados colocarem na cueca ?

(Não será publicado)