Êxtase

Nasci no dia 29 de novembro de 1974, as 17:45, no quarto 402 do Hospital Português aqui mesmo em Salvador. Se fizermos as contas, pouco mais de 2 meses depois era carnaval.

Na época meu pai era sócio fundador do Broco do Jacu, quando saia era sempre com sua mortalha – nem se sonhava com abadás – azul celeste, e um penico que usava para distribuir cerveja na avenida.

Minha mãe, querendo fazer uma surpresa, pegou o que sobrou da mortalha de meu pai, fez uma mini mortalha para mim e sem pensar duas vezes me levou para a saída do Broco no Hotel da Bahia.

Foi um sucesso. Veio gente de todo lado ver o mais novo folião – em todos os sentidos – do carnaval soteropolitano e a notícia rodou por toda a avenida.

A notícia correu pela avenida sete de setembro e todos vieram prestigiar. Fui considerado uma verdadeira celebridade. Vieram foliões de todos os cantos.

Todos me viram.

Menos meu pai, que a esta altura estava pelas bandas do relógio de São Pedro, aprontando das suas. Quando a notícia chegou até ele e conseguiu chegar até o hotel, a senhora minha mãe já havia ido embora.

Nunca se perdoou por ter perdido esta cena.

Passei muitos carnavais, quando criança, em bailes infantis tanto em Salvador quanto no Rio de Janeiro, onde passava minhas férias de verão na casa de minha avó na rua Senador Vergueiro, no bairro do Flamengo, além de Recife e Olinda.

Acompanhei também meus pais, por várias vezes nos encontros de trios, debaixo de chuva no Farol da Barra…

Bons tempos…

Em 1993 mal sabia eu que este seria um dos meus últimos carnavais por muitos anos. O próximo passei visitando múmias e pirâmides no Egito mas em 1995, lá estava eu novamente, em plena pipoca no meu último carnaval por anos, já que em setembro do mesmo ano, me mudaria do Brasil só voltando à avenida em 2003.

De lá para cá não abandonei mais.

Sempre folião.
Quase sempre na pipoca.

Para mim, camarotes são pontos de apoio para descansar em usar ou banheiro e Blocos somente quando conseguia algum 0800, quando estava namorando ou quando um amigo de fora veio me visitar e não queria jogá-lo na bagaceira logo de cara.

Para este pobre blogueiro apaixonado, o mais importante do carnaval são as chamadas tradições pessoais. Ou seja, carnaval não é carnaval, na minha opinião, sem que eu vá atrás do Trio Elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar, em plena pipoca, pulando como manda o figurino, é encontrar aquele amigo que não via há anos no meio da folia, é esperar o lençol branco dos filhos de Ghandy passar, é ver aquela família inteira – papai, mamãe, crianças, tios, tias, avôs e avós – brincando juntos as 4 da manhã em plena Ondina.

Por incrível que pareça, em todos os meus 34 carnavais de existência, consigo sim, contar nos dedos de uma mão, quantas garotas eu beijei na avenida.

Acreditem!

Não, não sou homossexual ou tenho algum distúrbio de timidez aguda. Eu pulo carnaval pela farra, pelas brincadeiras, pelas músicas, ritmos, colar o ouvido na Trio até estourar os tímpanos e pedir mais.

Meu carnaval sempre foi muito mais do que o “sair para pegar mulher”.

Pô! Com todo respeito. Não sou nenhum Don Juan mas nunca precisei de uma desculpa para dar em cima de garota nenhuma. Eu tinha o ano todo para isto.

Meu carnaval era – e ainda é – para outras farras. É durante o carnaval que esqueço dos problemas, da minha conta bancária, do débito no cartão de crédito.

No carnaval eu sou ainda mais apaixonado. E algo me diz, que foi justamente por causa de um telefonema, no meio do carnaval, com os Trios passando a toda, que comecei a conquistar meu amor.

Mas ela não gosta de

Pois bem.
O tempo passou e, como normalmente acontece na vida de qualquer “rapaz de boa índole”, depois deste telefonema, começamos a nos falar ainda mais, nos ver, sair juntos, nos apaixonamos e começamos a namorar.

Vendedor de cerveja no carnaval de Salvador

Vai uma gelada?

Tudo bem, tudo maravilhoso mas eis que surge um pequeno porém:

Eu, folião – pipoqueiro de carteirinha.

Ela, não suporta carnaval.

Para piorar as coisas eu trabalho durante a folia de Momo, ou seja, não tenho nem como escapar para algum retiro em algumas das praias do litoral norte baiano ou algo assim, aproveitando a folga extra que boa parte dos brasileiros conseguem tirar do chefe – oficialmente, ou não – durante estes dias. Boa parte; não todos.

Agora temos algumas opções:

  1. Ela te dá um ultimatum e diz que para o carnaval você não vai.
  2. Ela diz que confia em você e deixa você ir tranquilamente;
  3. Ela faz um esforço e tenta te acompanhar pelo menos por uma noite.

A melhor solução:

Tentar negociar!

No meu caso, eu troquei um dia com os amigos por todos os outros dias de carnaval, quando serei só e somente só dela para realizar todos os seus desejos.

Considerando que o Carnaval de Salvador começa na quinta e só acaba lá pelas 3 da tarde de quarta-feira de cinza, com o arrastão de Carlinhos Brown e Ivete Sangalo na Barra, até que é uma ótima barganha… para ela, claro.

Mas uma coisa eu garanto: Nesta negociação, ninguém sai perdendo!!!

PS: Obrigado, de novo amor!!!

  • Já linkei várias vezes neste post mas nunca é demais faz parte da negociação, não é?  Dani, minha amada namorada, escreve maravilhosamente bem sobre o universo feminino em seu Blog. Uma ótima dica para nós marmanjos aprendermos algo.
  • Aqui neste post vocês têm toda a programação do Carnaval de Salvador para este ano.
  • Aqui você aprende a fazer seus amigos pularem carnaval… sem saírem de casa!
  • Kama-sutra para uma pessoa? Veja aqui.
  • Uma receita para curar ressacas. Sempre uma ótima!
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