Espero que você morra

Espero que você morra

Minha bicicleta foi roubada do meu gramado da frente semana passada. É uma bicicleta sem marchas com uma bandeira de caveira e um raio nela. O raio e a bandeira podem ter sidos removidos. Esta bicicleta era novinha em folha, tirada da loja.

Sem recompensas

Eu nem mesmo quero esta bicileta de volta. Eu só fiz estes folhetos para te dizer que te odeio, ladrão de bicicletas.

Eu espero que você use minha bicicleta sem um capacete e seja atropelado por um caminhão monstruoso.Eu espero que minha bicicleta o leve direto para o inferno.

Passei por algo parecido quando era criança. Estava voltando para casa do colégio, todo feliz por ter tirado uma excelente nota na prova de matemática – o que não era a coisa mais comum do mundo. Infelizmente, eu e bendita matemática (ou qualquer outra matéria que tivesse a ver com números) nunca fomos melhores amigos. Sofri muito com isso até que, depois de mais velho, descobri que tinha um tipo especial de dislexia conhecida como Dislexia ordinal o que me impossibilitava de simplesmente contar. Mas isso é assunto para outro post. – com um relógio Data Bank 200 da Cassio que, na época era o equivalente ao iPod Touch – todos queriam, poucos podiam ter – que meu pai havia me dado de presente há menos de uma semana quando fui cercado por alguns pivetes marginais bem mais velhos e maiores me cercaram, me encheram de porrada – até hoje lembro do jeito que meu lábio inchou – e levaram minha mochila com a tal prova dentro além do relógio que não tive tempo de criar algum tipo de sentimento de posse antes de ter sido levado.

Por isso mesmo entendo o desespero do coitado do garoto que espalhou este cartaz pelos postes de sua cidade. Eu também não queria recuperar meu relógio, se os filhosdumasenhoradevidadanafácil  tivessem uma morte sofrida e dolorida já bastava.

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