A única coisa que me lembro do “Showmício Diretas Já” foi meu pai me colocando em seu ombro em no meio da multidão no Farol da Barra.
Lembro como se fosse hoje como eu ficava perguntando à meu pai: “E agora!? Como é que vai ser??” quando a emenda Dante de Oliveira não passou no congresso.
Ainda posso sentir a alegria da eleição de Tancredo para presidente e a angústia dos dias esperando um sinal de melhora para aquele que viria a mudar o Brasil!
Ainda me dói, como se fosse hoje, lembrar de sua morte.
E posso garantir-lhes uma coisa: Como eu chorei naquele dia….
Meus pais ficaram abismados. E nunca puderam entender que para mim, mesmo – ou exatamente – por ser somente uma criança, não era só Tancredo que morria, era O sonho.
Qual era o sonho!?
Eu não fazia a menor idéia. Mas eu via a multidão nas ruas pela TV, ouvia histórias e estórias contadas pelos adultos e conseguia enxergar um brilho nos olhares das pessoas. Uma aura.
Morria o único herói meu que iria contradizer Cazuza, não morrendo de overdose ou acidentes mal explicados…
… e o mundo tinha acabado de ganhar mais um cético: EU!
Vieram o Grêmio do colégio, as eleições de ’89, a cara pintada em ’92, o D.A. da faculdade logo depois mas nunca mais fui o mesmo garoto que acreditava somente nos Beatles e não estava nem aí para os Rolling Stones na época – só fui descobri-los depois.
Acredito piamente que a minha foi a última geração “politizada” deste país.
Afinal, não fomos criados por nossas mães, mas por Renato Russo perguntando “Que país é esse?”, pelos Titãs nos mostrando a cara da polícia, pelos Paralamas nos lembrando que “são trezentos picaretas com anel de doutor”…
Éramos os verdadeiro “filhos da revolução” mas parece que fracassamos na pior delas:
A de EDUCAR a geração que veio logo a seguir.
Tenho a impressão, as vezes, de que os militares da ditadura conseguiram o que queriam: Ser esquecidos.
Mas o fato é que acabamos esquecendo de nós mesmos!!!
Nos tornamos um povo apático. Uma geração apática em relação não somente à situação atual do país, do mundo, mas também – e principalmente – em relação aos nossos filhos – ou, no meu caso, futuros filhos.
Lhes entregamos um mundo em que tudo está muito mais próximo. Tudo está mais fácil. Mais óbvio.
Eles perderam os desafios. Não correm mais riscos. Parece que não tem mais “graça” sair para protestar quando no máximo se perde um ou outro dia de aula…
Para que ir para as ruas, protestar, reclamar se não tem perigo da polícia aparecer batendo, ou fazer algo além de ficar em casa – ou no trabalho – batendo papo no msn?
Tenho tanta vergonha desta nova quanto tenho da minha própria!
Mensalão, Renan, leite adulterado e por aí vai…
Deveríamos a muito estar de volta às ruas!!!
Deveríamos a muito mostrar o quanto estamos insatisfeitos!!!
Deveríamos, realmente, mostrar que não somos a “geração Coca-cola”, não somos os “filhos da revolução” mas sim a própria revolução!!!
INDIGNIZEM-SE!!!
- Abaixo o jeitinho brasileiro (Papo sério)











Conseguiu Roberto, parabéns!
[...] à shows no Iate Clube, revellions no Baiano de Tenis, em comícios da Diretas, e no Rock in [...]
[...] No ombro do meu pai (Texto) [...]
[...] This post was mentioned on Twitter by Roberto Camara. Roberto Camara said: RT @tayra: Sem nada pra fazer? Leiam 2 ótimos textos antigos do @robertocamarajr: http://ow.ly/1vOne e http://ow.ly/1vOod // o/ Valeu! [...]
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