Fred 2 Por Eduardo Sales Filho

Assim como a esmagadora maioria das pessoas, chorei feito uma menininha quando assisti Marley e Eu. Esse filme não é feito apenas para quem gosta de cachorros, e sim pra todo mundo que já amou um dia.

Que me perdoem aqueles que preferem os gatos, mas não há maior prova de que o amor existe do que a relação entre um cachorro e seu dono. Os cães, ao contrário dos malditos felinos, se apegam à pessoa e não à sua casa. Eles percebem quando seus donos estão tristes e se aproximam para consolá-los; entendem quando fazem algo errado e sabem usar como ninguém aquela carinha triste que torna impossível para qualquer um com um coração pulsando no peito brigar com o pobre coitado.

Adoro cachorros. Tive vários ao longo da minha vida, mas farei esse texto para falar apenas de um, meu primeiro bichinho de estimação, um viralatês – mistura de vira-lata com pequinês – chamando Ming.

Eu não tinha mais do que cinco anos quando uma amiga deu Ming de presente para minha irmã, mas lembro vividamente do dia que ele chegou lá em casa. Estava deitado no sofá quando ouvi minha irmã mais velha dar um grito de alegria. Levantei rapidamente pra ver do que se tratava e vi em suas mãos um cachorrinho preto com algumas pintas brancas. Ele era bem pequenininho e parecia assustado com o barulho a sua volta. Foi amor a primeira vista.

Apesar de não ser o meu cachorro, pelo menos não ainda, eu e Ming nos tornamos melhores amigos rapidamente. Ele costumava me seguir sempre que eu ia dar uma volta de bicicleta, ou então ficava sentado ao meu lado na porta de casa vendo o movimento da rua. Quando minha irmã foi estudar em Salvador e deixou Ming para trás, já estava evidente pra todo mundo quem seria o seu novo dono.

Ming era um cachorro extremamente inteligente, ele realmente conseguia entender o que falávamos… só isso explicaria as milhares de histórias que todos em minha família conhecem.

Além disso, ele tinha o estranho hábito de subir em muros. Isso mesmo, apesar da sua estatura diminuta, Ming dava um jeito de escalar o muro da minha casa e perseguia os gatos em seu próprio ambiente. Era engraçado ver a cara de susto dos bichanos quando via um cachorro correndo enloquecidamente em sua direção.

Ming era um cão praieiro, passava todo o verão com a gente na Ilha de Itaparica. Ele ficava deitado na sombra até que sentia calor e ia dar um mergulho no mar. Depois de se refrescar, e se secar daquele jeito que só os cachorros sabem fazer, voltava pro seu ponto inicial e ficava lá. Esse processo se repetia várias vezes ao longo do dia.

Infelizmente o tempo foi passando, eu também precisei deixar Amargosa para estudar em Salvador e Ming, já bem velhinho, ficou sob os cuidados do meu pai. Todo dia Ming ia para a casa da minha tia e passava a tarde brincando e dormindo em seu jardim, até que um dia ele dormiu e não acordou mais.

Acho injusto os cães viverem tão pouco, mas sei que Ming aproveitou muito bem os seus 12 anos de vida. Ele foi feliz, fez uma família feliz, e durante muito tempo foi o único amigo de um certo garoto gordinho que, ainda hoje, sente a sua falta.

Esse texto é dedicado à Scooby e meu grande amigo Cesar. Não se preocupe, meu velho. Tenho certeza que a essa hora Ming e Scooby estão brincando muito no céu dos cachorros.

 

  • Espero que alguns de vocês tenham percebido que este post foi escrito por um convidado: Eduardo Sales do Blog Contrapeso.
  • Tentarei sempre ter posts de amigos convidados a partir de hoje, aqui no Me Tire Deste Ócio!!!. Espero que aprovem!
  • A foto que ilustra este post não é do Ming. O Dudu bem que tentou mas não conseguiu encontrar nenhuma foto dele. Então usei uma foto do Fred que está procurando um novo lar.
  • Quem quiser, pode verificar o post de outro conviva, o empresário Gustavo Ramos no post No ecuador dos outros é refresco…

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