Confesso que vai ser muito difícil conseguir me adaptar a nova ditadura reforma ortográfica. Hoje, mais do que nunca, consigo entender porque minha avó, quando me escrevia suas longas cartas -- que ela insitia em chamar de missivas -- no milênio passado, antes da internet, dos e-mails, do Irc, ICQ, msn, Orkut, Twitter…
Nessas cartas, não era incomum ler “maiz” ou “pharmacia”, o que me faziam sempre lembrar uma antiga anedota:
O sujeito, depois de ficar preso por 60 anos, entra em uma loja querendo comprar uma televisão. O vendendor prestativo pergunta de que marca.
Nosso herói pensa por uns instantes e responde: “Eu queria uma Pilco, por favor”.
-Meu senhor, responde o vendedor, o nome correto é Philco -- leia-se Filco -- e nós não trabalhamos com esta marca.
- Tudo bem, contesta o ex-presidiário, talvez uma Pililps.
E mais uma vez o vendedor responde: Meu caro senhor, o nome da marca é Phillips (Filipís) e, infelizmente, também não trabalhamos com esta marca.
Devidamente surpreso, João -- vamos chamá-lo de João? -- sem prestanejar lhe treplica:
- Forra! Futa que o fariu! Trocaram o P pelo F e não me avisam nada!
Lembro ainda das horas e dias a fio, tentando engolir de um jeito ou de outro a gramática para as provas de português no colégio. Por isso mesmo, para mim, esta nova reforma é como um tapa de pelica na cara. Uma verdadeira ofensa por todas as vezes que deixei de brincar com meus amigos, quando era criança, para ficar em casa estudando.
Por mais que eu queira e tente, sei que vai demorar ainda muito tempo para que eu possa me acostumar com estas novas regras. Até lá, meus caros leitores, me perdoem.
- Reforma ortográfica inglêsa (Imagem)
- As maravilhas da gramática portuguêsa (Texto)
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